Ser livre de todos os apegos não significa fugir de todas as ocasiões de se apegar. Todas essas pessoas que afirmam seu ascetismo, não apenas fogem disso, mas admoestam os outros a não tentar!
Isto me parece tão óbvio. Quando você precisa fugir de alguma coisa a fim de não experimentá-la, significa que não está acima dela, que está ainda no mesmo nível.
Tudo o que suprima, diminua ou deprecie não pode trazer liberdade. A liberdade deve ser experimentada na totalidade da vida e em todas as sensações.
Por medo de estarmos enganados em nossas ações, paramos de fazer completamente alguma coisa; por medo de errarmos por falar, paramos de falar; por medo de comer pelo prazer de comer, não comemos mais nada – isto não é liberdade, é simplesmente reduzir a manifestação ao mínimo; e a conclusão natural é Nirvana. Mas se o Senhor quisesse apenas o Nirvana, nada existiria senão o Nirvana! É óbvio que Ele concebe a coexistência de todos os opostos, e isto deve ser o princípio de uma totalidade. Assim, obviamente, se a pessoa se sente destinada a algo, ela pode escolher apenas uma de suas manifestações, ou seja, a ausência de manifestação. Mas isto ainda é uma limitação. E este não é o único meio de encontrá-Lo, longe disso!
Há pessoas que adoram a aventura. São estas que eu chamo, e eis o que lhes digo: Eu as convido para a grande aventura.
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
liberdade: não indulgência
Se alguém imaginar que pode atravessar para o outro lado sem passar por este estágio (de perfeição moral), ele se arriscaria a cometer um grande erro e considerar como perfeita liberdade uma perfeita fraqueza com relação à sua natureza inferior.
É quase impossível passar do ser mental – mesmo o mais perfeito e mais extraordinário – para a verdadeira vida espiritual sem haver realizado este ideal da perfeição moral por certo período, por mais breve que seja. Muitas pessoas tentam tomar um atalho e querem afirmar sua liberdade interior antes de ter superado todas as fraquezas da natureza externa; elas se colocam em grande perigo de se iludirem. A verdadeira vida espiritual, a completa liberdade, é algo muito superior às mais elevadas realizações morais, mas devemos tomar cuidado para que essa assim chamada liberdade não seja uma indulgência e um desprezo por todas as regras.
Devemos ir além, sempre mais alto, cada vez mais alto; nada menos do que o mais elevado que a humanidade já realizou.
Devemos ser capazes de ser espontaneamente tudo o que a humanidade concebeu como o que há de mais elevado, de mais belo, de mais perfeito, de mais desinteressado e compreensivo, o que há de melhor, antes de abrimos nossas asas espirituais e olharmos para tudo isto do alto como algo que ainda pertence ao eu individual, a fim de que possamos entrar na verdadeira espiritualidade, a qual não possui nenhum limite, que vive de maneira integral a Infinitude e a Eternidade.
É quase impossível passar do ser mental – mesmo o mais perfeito e mais extraordinário – para a verdadeira vida espiritual sem haver realizado este ideal da perfeição moral por certo período, por mais breve que seja. Muitas pessoas tentam tomar um atalho e querem afirmar sua liberdade interior antes de ter superado todas as fraquezas da natureza externa; elas se colocam em grande perigo de se iludirem. A verdadeira vida espiritual, a completa liberdade, é algo muito superior às mais elevadas realizações morais, mas devemos tomar cuidado para que essa assim chamada liberdade não seja uma indulgência e um desprezo por todas as regras.
Devemos ir além, sempre mais alto, cada vez mais alto; nada menos do que o mais elevado que a humanidade já realizou.
Devemos ser capazes de ser espontaneamente tudo o que a humanidade concebeu como o que há de mais elevado, de mais belo, de mais perfeito, de mais desinteressado e compreensivo, o que há de melhor, antes de abrimos nossas asas espirituais e olharmos para tudo isto do alto como algo que ainda pertence ao eu individual, a fim de que possamos entrar na verdadeira espiritualidade, a qual não possui nenhum limite, que vive de maneira integral a Infinitude e a Eternidade.
sábado, 23 de julho de 2011
o direito de ser livre
Muitas vezes em seus escritos, especialmente no Síntese do Yoga, Sri Aurobindo nos adverte contra aqueles que acreditam que podem praticar a sadhana sem um rigoroso autocontrole, e que dão atenção a todo tipo de inspirações, as quais os conduzem a um perigoso desequi-líbrio em que todos os seus desejos reprimidos, ocultos ou secretos aflo-ram na superfície sob a pretensão de liberação das convenções ordiná-rias e da razão comum.
A pessoas só podem ser livres elevando-se a grandes altitudes, muito acima das paixões humanas. Só quando se alcançou uma liberdade superior, inegoista, e se aboliu todos os desejos e impulsos, é que a pessoa tem o direito de ser livre.
Mas tampouco deveriam as pessoas que são muito racionais, muito moralistas de acordo com as leis sociais, considerarem-se sábias, pois sua sabedoria é uma ilusão e não contém nenhuma verdade profunda.
Aquele que quiser transgredir a lei deve estar acima da lei. Quem quiser ignorar as convenções deve estar acima de todas as regras. E o motivo dessa liberação jamais deveria ser pessoal, egoístico: o desejo de satisfazer uma ambição, engrandecer a própria personalidade através de um sentimento de superioridade, por desprezo aos demais, para colocar-se acima da massa e julgá-la com condescendência. Tome cuidado quando sentir-se superior e olhar os outros de cima, com ironia, como se a dizer: “Eu não sou mais feito desse estofo.” É nesse momento que você sai da trilha e está correndo perigo de cair no abismo.
A pessoas só podem ser livres elevando-se a grandes altitudes, muito acima das paixões humanas. Só quando se alcançou uma liberdade superior, inegoista, e se aboliu todos os desejos e impulsos, é que a pessoa tem o direito de ser livre.
Mas tampouco deveriam as pessoas que são muito racionais, muito moralistas de acordo com as leis sociais, considerarem-se sábias, pois sua sabedoria é uma ilusão e não contém nenhuma verdade profunda.
Aquele que quiser transgredir a lei deve estar acima da lei. Quem quiser ignorar as convenções deve estar acima de todas as regras. E o motivo dessa liberação jamais deveria ser pessoal, egoístico: o desejo de satisfazer uma ambição, engrandecer a própria personalidade através de um sentimento de superioridade, por desprezo aos demais, para colocar-se acima da massa e julgá-la com condescendência. Tome cuidado quando sentir-se superior e olhar os outros de cima, com ironia, como se a dizer: “Eu não sou mais feito desse estofo.” É nesse momento que você sai da trilha e está correndo perigo de cair no abismo.
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