Há uma coisa que vocês devem aprender: jamais confiar em ninguém ou em nada, seja quem ou o que for, exceto no Divino. Pois se vocês se apóiam em alguém como suporte, o suporte vai se romper, estejam certos disso. A partir do momento em que vocês começam a praticar yoga (eu sempre falo daqueles que praticam yoga, não falo da vida comum), para aqueles que praticam yoga, depender de alguém é como querer transformar essa pessoa em representante da Força Divina; assim, podem estar certos de que não existe uma só pessoa em cem milhões que possa suportar este peso: ela cederá imediatamente. Portanto, jamais tomem a atitude de esperar suporte, ajuda ou conforto de ninguém que não seja o Divino. Isto é absoluto; jamais encontrei, uma vez que fosse, alguém que tentasse apoiar-se em algo para encontrar um suporte (alguém praticando yoga ou que tenha sido posto em contato com o yoga) e que não tenha ficado decepcionado – o suporte se rompe, é interrompido, e a pessoa perde o apoio. Então ela diz: “A vida é difícil” – ela não é difícil, mas a pessoa deve saber o que está fazendo.
Todas as suas fraquezas só podem ser trabalhadas e eliminadas pelo Divino. Só Ele é capaz de lhes dar o que necessitam em tudo, sempre, e se tentarem encontrar qualquer satisfação, apoio, auxílio ou alegria ou...Deus sabe o quê... Em qualquer outra pessoa, vocês inevitavelmente cairão de cara no chão algum dia, e isto sempre machuca, às vezes machuca bastante.
Há pessoas que adoram a aventura. São estas que eu chamo, e eis o que lhes digo: Eu as convido para a grande aventura.
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domingo, 14 de agosto de 2011
domingo, 3 de julho de 2011
o yoga e o amor
não apenas para aqueles que querem praticar yoga, mas também na vida comum: se a pessoa quiser saber como amar, ela não deve amar a si mesmo primeira e acima de tudo egoisticamente; ela deve se dar ao objeto de amor sem exigir nada em troca. Esta disciplina é elementar para que ela possa superar a si mesma e levar uma vida que não seja inteiramente ignorante.
Quanto ao yoga, podemos acrescentar algo mais: a vontade de romper essa forma de amor humano limitado e descobrir o princípio do Amor divino que se encontra por trás dela. Talvez seja um pouco mais difícil, mas é o melhor de todas as maneiras, pois assim, ao invés de fazermos egoisticamente os outros sofrerem, podemos deixá-los tranqüilos em seu próprio movimento e apenas realizarmos um esforço para nos transformarmos sem impor nossa vontade aos outros, o que mesmo na vida comum é um passo rumo a algo mais elevado e um pouco mais harmonioso.
Quanto ao yoga, podemos acrescentar algo mais: a vontade de romper essa forma de amor humano limitado e descobrir o princípio do Amor divino que se encontra por trás dela. Talvez seja um pouco mais difícil, mas é o melhor de todas as maneiras, pois assim, ao invés de fazermos egoisticamente os outros sofrerem, podemos deixá-los tranqüilos em seu próprio movimento e apenas realizarmos um esforço para nos transformarmos sem impor nossa vontade aos outros, o que mesmo na vida comum é um passo rumo a algo mais elevado e um pouco mais harmonioso.
terça-feira, 24 de maio de 2011
imaginação
Peço-lhes que nunca fiquem desanimados e desapontados, mas que sua imaginação seja sempre esperançosa e alegremente plástica à pressão da Verdade superior, de modo que ela possa encontrá-los cheios das formações necessárias para reter sua luz criativa.
A imaginação é como uma faca que pode ser usada para bons ou maus propósitos. Se vocês nutrirem sempre a idéia e o sentimento de que serão transformados, então ajudarão o processo do Yoga. Se, pelo contrário, ficam desanimados e se lamentam por não serem aptos ou se julgarem incapazes da realização, envenenam seu próprio ser. É justamente por conta desta verdade tão importante que eu insisto tão incansavelmente em dizer-lhes que não se importem com o que aconteça, mas, pelo amor de Deus, não fiquem deprimidos. Vivam de preferência na esperança constante e na convicção de que aquilo que estamos fazendo terá sucesso. Em outras palavras, que sua imaginação seja moldada por sua fé em Sri Aurobindo.
A imaginação é como uma faca que pode ser usada para bons ou maus propósitos. Se vocês nutrirem sempre a idéia e o sentimento de que serão transformados, então ajudarão o processo do Yoga. Se, pelo contrário, ficam desanimados e se lamentam por não serem aptos ou se julgarem incapazes da realização, envenenam seu próprio ser. É justamente por conta desta verdade tão importante que eu insisto tão incansavelmente em dizer-lhes que não se importem com o que aconteça, mas, pelo amor de Deus, não fiquem deprimidos. Vivam de preferência na esperança constante e na convicção de que aquilo que estamos fazendo terá sucesso. Em outras palavras, que sua imaginação seja moldada por sua fé em Sri Aurobindo.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
venha para a Obra Divina
Toda vez que alguém vem me dizer: “Eu venho pelo meu yoga”, eu digo: “Oh, não! Então não venha. É muito mais difícil aqui do que em qualquer outro lugar.”...
Se alguém vem me dizer: “Eu venho para trabalhar, parar torna-me útil”, então está tudo bem. Porém, se a pessoa vem e diz: “Tenho muitas dificuldades lá fora, não consigo superá-las. Quero vir para cá, porque isto me ajudará”, eu digo: “Não, não, aqui será muito mais difícil; suas dificuldades serão consideravelmente aumentadas.” E quer dizer exatamente isto, porque elas não serão mais dificuldades isoladas; serão dificuldades coletivas.
Assim, quando as pessoas vêm e me dizem: “Eu vim para cá a fim de obter paz, quietude, ficar livre, praticar o meu yoga”, eu lhes digo: “Não, não, não! Vá embora imediatamente para qualquer outro lugar, você estará muito mais cheio de paz em qualquer outro lugar do que aqui*.” *(A Mãe refere-se ao ‘Ashram de Sri Aurobindo’ na Índia)
Se alguém chega e diz: “Bem, aqui estou, sinto que devo consagrar-me à Obra Divina, estou pronto para realizar qualquer trabalho que me dê”, então eu digo: “Bom, está certo. Se você tiver boa-vontade, persistência, e alguma capacidade, está tudo bem. Mas para encontrar a solidão necessária para seu desenvolvimento interior, é melhor ir a outro lugar, qualquer lugar, não aqui.”
Se alguém vem me dizer: “Eu venho para trabalhar, parar torna-me útil”, então está tudo bem. Porém, se a pessoa vem e diz: “Tenho muitas dificuldades lá fora, não consigo superá-las. Quero vir para cá, porque isto me ajudará”, eu digo: “Não, não, aqui será muito mais difícil; suas dificuldades serão consideravelmente aumentadas.” E quer dizer exatamente isto, porque elas não serão mais dificuldades isoladas; serão dificuldades coletivas.
Assim, quando as pessoas vêm e me dizem: “Eu vim para cá a fim de obter paz, quietude, ficar livre, praticar o meu yoga”, eu lhes digo: “Não, não, não! Vá embora imediatamente para qualquer outro lugar, você estará muito mais cheio de paz em qualquer outro lugar do que aqui*.” *(A Mãe refere-se ao ‘Ashram de Sri Aurobindo’ na Índia)
Se alguém chega e diz: “Bem, aqui estou, sinto que devo consagrar-me à Obra Divina, estou pronto para realizar qualquer trabalho que me dê”, então eu digo: “Bom, está certo. Se você tiver boa-vontade, persistência, e alguma capacidade, está tudo bem. Mas para encontrar a solidão necessária para seu desenvolvimento interior, é melhor ir a outro lugar, qualquer lugar, não aqui.”
terça-feira, 5 de abril de 2011
as três vitórias
A primeira vitória é criar uma individualidade. Depois disso, a segunda vitória é dar esta individualidade ao Divino. E a terceira vitória é o Divino transformar sua individualidade num ser divino.
Há três estágios: o primeiro é tornar-se um indivíduo; o segundo é consagrar o indivíduo, para que ele possa entregar-se inteiramente ao Divino e tornar-se identificado com ele; e o terceiro, é o Divino tomar posse desse indivíduo e transformá-lo num ser à Sua própria imagem, ou seja, ele também se torna divino.
De maneira geral, todos os yogas paravam no segundo. Quando a pessoa havia conseguido realizar a entrega do indivíduo e dá-lo sem reservas ao Divino para identificar-se com Ele, ela considerava terminado o seu trabalho e que tudo estava realizado.
Mas nós começamos ali, e dizemos: “Não, isto é apenas o começo. Nós queremos que este Divino, com o qual estamos identificados, entre em nossa individualidade e transforme-a numa personalidade divina atuando em um mundo divino. E isto é o que chamamos de transformação.”
Há três estágios: o primeiro é tornar-se um indivíduo; o segundo é consagrar o indivíduo, para que ele possa entregar-se inteiramente ao Divino e tornar-se identificado com ele; e o terceiro, é o Divino tomar posse desse indivíduo e transformá-lo num ser à Sua própria imagem, ou seja, ele também se torna divino.
De maneira geral, todos os yogas paravam no segundo. Quando a pessoa havia conseguido realizar a entrega do indivíduo e dá-lo sem reservas ao Divino para identificar-se com Ele, ela considerava terminado o seu trabalho e que tudo estava realizado.
Mas nós começamos ali, e dizemos: “Não, isto é apenas o começo. Nós queremos que este Divino, com o qual estamos identificados, entre em nossa individualidade e transforme-a numa personalidade divina atuando em um mundo divino. E isto é o que chamamos de transformação.”
sábado, 2 de abril de 2011
o controle do corpo
Aqueles que menosprezam as atividades físicas são pessoas que se tornam incapazes de dar um passo sequer no verdadeiro caminho do yoga integral, a menos que abandonem primeiramente o seu desprezo. Controle do corpo em todas as suas formas é uma base indispensável. Um corpo que o domina é um inimigo, é uma desordem que você não pode aceitar. É a vontade iluminada da mente que deve governar o corpo, e não este que deve impor sua lei sobre a mente. Quando a pessoa sabe que tal coisa é má, ela deveria ser capaz de não fazê-la. Quando ela quiser que algo seja realizado deve ser capaz de realizá-lo sem ser interrompido a cada passo pela inabilidade do corpo, por sua má vontade ou falta de colaboração; e para isto, ela deve seguir uma disciplina física e tornar-se o senhor de sua própria casa.
É muito agradável escapar através da meditação e olhar das alturas, de sua assim chamada grandeza, para as coisas materiais, mas quem não é senhor de sua própria casa é um escravo.
É muito agradável escapar através da meditação e olhar das alturas, de sua assim chamada grandeza, para as coisas materiais, mas quem não é senhor de sua própria casa é um escravo.
sábado, 19 de março de 2011
três fontes da força vital
Na imensa maioria das pessoas, toda a sua força vital vem de baixo, da terra, do alimento, de todas as sensações. Do aliment... elas absorvem a energia vital do alimento. É vendo, ouvindo, tocando, sentindo que entram em contato com as energias contidas na matéria. Elas a absorvem dessa maneira. Esta é sua alimentação normal.
Já algumas pessoas têm um vital muito desenvolvido, que foi submetido por elas a uma disciplina – e elas possuem uma sensação de imensidade e estão em contato com o mundo e com os movimentos das forças universais. E assim elas podem receber...se num movimento de chamado...elas puderem receber as forças vitais universais, que entram nelas e renovam a dose de energia de que necessitam.
Existem outras, muito raras – ou talvez em momentos muito raros de sua existência individual – que possuem uma aspiração pela consciência superior, pela força superior, pelo conhecimento superior, e que, por este chamado, atraem para si as forças desses domínios mais elevados.
Porém, a menos que a pessoa esteja praticando yoga, uma disciplina regular, normalmente ela não entra em contato com freqüência com esta fonte; ela absorve do mesmo nível ou de baixo.
Já algumas pessoas têm um vital muito desenvolvido, que foi submetido por elas a uma disciplina – e elas possuem uma sensação de imensidade e estão em contato com o mundo e com os movimentos das forças universais. E assim elas podem receber...se num movimento de chamado...elas puderem receber as forças vitais universais, que entram nelas e renovam a dose de energia de que necessitam.
Existem outras, muito raras – ou talvez em momentos muito raros de sua existência individual – que possuem uma aspiração pela consciência superior, pela força superior, pelo conhecimento superior, e que, por este chamado, atraem para si as forças desses domínios mais elevados.
Porém, a menos que a pessoa esteja praticando yoga, uma disciplina regular, normalmente ela não entra em contato com freqüência com esta fonte; ela absorve do mesmo nível ou de baixo.
terça-feira, 15 de março de 2011
o esforço proporciona alegria
“Um objetivo dá sentido à vida, dá-lhe um propósito, e este propósito implica esforço; e é no esforço que se encontra a alegria?”
Exatamente. É o esforço que proporciona alegria; um ser humano que não saiba como realizar o esforço jamais encontrará a alegria. Aqueles que são essencialmente preguiçosos jamais encontrarão alegria – eles não têm a força para serem alegres! É o esforço que proporciona alegria. O esforço faz o ser vibrar num certo grau de tensão que lhe possibilita sentir a alegria.
Somente o esforço, em qualquer domínio que seja – esforço material, moral, intelectual – cria no ser certas vibrações que o capacitam a conectar-se com as vibrações universais; e é isto que proporciona alegria. É o esforço que o arranca da inércia; é o esforço que o torna receptivo às forças universais. E a única coisa, acima de tudo, que proporciona alegria espontaneamente, mesmo para aqueles que não praticam yoga, que não têm nenhuma aspiração espiritual, que levam uma vida inteiramente comum, é o intercâmbio de forças com as forças universais. As pessoas não sabem disso, elas não seriam capazes de dizer-lhes que é devido a isto, mas assim é.
Exatamente. É o esforço que proporciona alegria; um ser humano que não saiba como realizar o esforço jamais encontrará a alegria. Aqueles que são essencialmente preguiçosos jamais encontrarão alegria – eles não têm a força para serem alegres! É o esforço que proporciona alegria. O esforço faz o ser vibrar num certo grau de tensão que lhe possibilita sentir a alegria.
Somente o esforço, em qualquer domínio que seja – esforço material, moral, intelectual – cria no ser certas vibrações que o capacitam a conectar-se com as vibrações universais; e é isto que proporciona alegria. É o esforço que o arranca da inércia; é o esforço que o torna receptivo às forças universais. E a única coisa, acima de tudo, que proporciona alegria espontaneamente, mesmo para aqueles que não praticam yoga, que não têm nenhuma aspiração espiritual, que levam uma vida inteiramente comum, é o intercâmbio de forças com as forças universais. As pessoas não sabem disso, elas não seriam capazes de dizer-lhes que é devido a isto, mas assim é.
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domingo, 23 de janeiro de 2011
um chamado para o caminho
Que pretende você do Yoga? Adquirir poder? Conseguir paz e calma? Servir à humanidade?
Nenhum destes motivos é suficiente para mostrar que você está destinado para o Caminho.
A pergunta que você deveria responder é esta: você quer o Yoga por amor ao Divino? É o Divino o acontecimento máximo de sua vida, a ponto de ser simplesmente impossível passar sem Ele? Você sente que sua verdadeira raison d’être é o Divino e que sem Ele não há sentido algum em sua existência? Neste caso, e só então, pode-se dizer que você tem um chamado para o Caminho.
Esta é a primeira coisa necessária – aspiração pelo Divino.
A coisa seguinte que você deve fazer é zelar por essa aspiração, conservá-la sempre atenta, desperta e viva. E o que se exige para isto é concentração – concentração no Divino, tendo em vista uma consagração integral e absoluta à Sua Vontade e Propósito.
Concentre-se no coração. Entre nele, penetre-o, aprofunde-se tanto quanto possível. Reúna todos os fios de sua consciência, que estão espalhados fora, à sua volta, enrole-os, mergulhe no seu coração e afunde.
Existem outros centros de concentração, um no alto da cabeça e outro entre as sobrancelhas. Cada um tem sua própria eficácia e lhe trará um resultado particular. Mas o ser central reside no coração e do coração procedem todos os movimentos centrais – todo dinamismo, todo anseio por transformação e todo poder de realização.
sábado, 22 de janeiro de 2011
a resolução de praticar yoga
Uma pessoa pode ter muito boa vontade, vocês entendem, uma vida orientada para a realização divina, uma consagração mais ou menos superficial a um trabalho divino e não praticar Yoga.
Praticar o yoga de Sri Aurobindo é querer transformar-se integralmente, é ter um único propósito na vida, de maneira que nada mais exista. É preciso sentir claramente em si mesmo se você quer isto ou não. Se não quiser, ainda assim é possível ter uma vida de boa-vontade, uma vida de serviço, de compreensão, trabalhar mais facilmente pela Obra a ser realizada – tudo isto – pode fazer muitas coisas. Mas há uma grande diferença entre isto e praticar Yoga.
Para praticar Yoga vocês devem querer conscientemente, devem saber o que é, para começar. Vocês precisam saber do que se trata, devem tomar uma resolução em relação a isto e, uma vez que tenham tomado a resolução, não devem mais hesitar e assumir com pleno conhecimento da coisa. Vocês devem saber o que estão decidindo quando dizem: “Quero praticar Yoga”; e é por esse motivo que eu creio nunca ter pressionado vocês deste ponto de vista..
Mas a partir do momento em que vocês façam uma escolha – quando a tenham feito com toda sinceridade e tenham sentido dentro de si mesmos como uma decisão radical – a coisa é diferente. Ali está a luz e o caminho a ser seguido, bem diante de vocês e vocês não devem se desviar dele. Ele não engana ninguém, vocês sabem; o Yoga não é uma brincadeira. Vocês devem saber o que estão fazendo quando escolherem. Mas, quando escolherem, devem se manter firmes nele. Vocês não têm mais o direito de vacilar. Devem seguir diretamente em frente. Assim!
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